Era noite, por volta das sete, o telefone tocou, e lá estava a proposta para um seminário na ECA, USP. Que felicidade ter meu projeto escolhido dentre tantos para a apresentação. A data era distante, foi o que me deu força para aceitar.
Sempre que falo em público parece que vou chutar para o gol. Minhas pernas tremem tanto, que tenho reações adversas e todo o corpo começa a chacoalhar. Deve ser a adrenalina esfuziante. Minha voz volta para a adolescência: boooA NOItee, hoje iREI falar soBRE...
Passo nervoso, a cabeça dói, penso em desistir, sair dali, inventar uma desculpa. Penso que a voz poderia sumir de vez, que outra pessoa poderia estar em meu lugar. Mas que droga! Por que eu aceitei este convite? Pura vaidade?
Quando começo a falar, as palavras somem, o raciocínio não existe, a sorte é o Power Point que fiz, projetado à minha frente. Só consigo ler o que está escrito e dizer exatamente o que li, sem nem alterar as palavras.
E quando você é a última apresentar? Que ninguém antes de você teve vergonha? Penso que todos passaram ilesos pela situação. Seguro o microfone, minha voz parece que sai sem eu conseguir raciocinar sobre as palavras que ela profere. Vejo as reações, todos me olham querendo dizer que estou indo bem, e tentam entender o que eu quero dizer. Mas no fundo a frustração é só minha. Aquele momento é só meu.
O pensamento volta a atuar, viva! Começo a me soltar, quando dou o clique para mudar de tela vejo a mensagem: Obrigada!
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
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Um comentário:
Hehehe, que legal! :)
Também sinto o mesmo. Só gosto de apresentar quando vou falar de algo que eu realmente entenda bem. Aí penso "bando de idiotas".. hehehe
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